Eu e o Lenormand, uma relação de ontem, hoje e sempre

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Era o ano de 1990, contava com meus 12 anos quando vi a primeira vez o lenormand, nas mãos de um sacerdote que o manipulava com maestria. Ao olhar aquelas figuras, aqueles símbolos, e o como as cartas eram utilizadas, dispostas e tudo aquilo era traduzido em vida,  fiquei fascinado. O tempo passou, situações diversas ocorreram em minha vida e fui percebendo que a paixão pela cartomancia havia nascido naquele instante. Primeiramente com as cartas tradicionais do baralho francês. Mas foi no ano de 1996, que adquiri meu primeiro lenormand, na cidade de Manaus, comprado na rua da instalação, em um extinta casa de artigos religiosos.  Lembro daquele instante em que,  ansioso do outro lado do balcão (o lado do cliente), acompanhei com os olhos fixos as mãos da vendedora pegando aquela caixinha vermelha e entregando-a para mim. Abri a caixinha e tirei as cartas, tocando uma a uma com a sensação de tocar em algo sagrado ( e de fato o é), em um tesouro que acabara de ganhar. Depois percebi que junto dele acompanhava um livreto, o qual tomei como referência para meus estudos e práticas. Nascia naquele instante uma história de amor, um caminho que jamais imaginaria em tempo algum.

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Não tive professores, instrutores, não fiz cursos. Era muito jovem e outras necessidades, escolares e familiares cobravam maior atenção, mas sentia-me orgulhoso em perceber que um cartomante começava ali seus passos. Passei alguns anos utilizando-o como conselheiro e consultor, para responder-me a questões de cunho pessoal e familiar. Comecei a jogar para meus familiares próximos e nesse ínterim, sentia necessidade em aprender mais, porém sem avistar possibilidades de estudos com outras pessoas. Foi então que psiquicamente corações amigos, Espiritos afins e simpáticos, apresentaram-se e passaram a me inspirar, ensinar, aconselhar, orientar no processo de jogar aquelas cartas, fiz então meus primeiros amigos cartomantes.

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O Lenormand tornou-se instrumento de grande aprendizado sobre mim mesmo, ao ter de encarar, durante os exercícios de leitura que realizava sozinho, situações que se apresentavam desafiadoras a serem vividas e outras banidas do meu eu interno, algumas de alegria e outras que iriam promover dores profundas. Ah! Quantos sorrisos, quantas lágrimas que tingiram de experiência cada carta.

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O cartomante lê como em livros dispostos em uma grande biblioteca  que, abertos, revelam vivências de alegrias sublimes e dores profundas, realizações, decepções, felicidade, desdita, coragem, medo, conhecimento,  vida e morte mas, acima de tudo, ESPERANÇA ! Ao receber conselhos e orientações de nosso inconsciente profundo e dos benfeitores que inspiram energeticamente cada lâmina e que se manifestam nas cartas exatas, nos símbolos, que caem nas posições certas e relacionadas umas com as outras com absoluta perfeição. Como se alguém estivesse arrumado tudo e dito: aí está você, sua vida seus caminhos, vai e age ! E esse “alguém” é o próprio universo, a própria energia cósmica que nos convida dia e noite à um novo amanhecer, ao conhecimento de nós mesmos. Quantos amigos, quantos corações que tive a honra de acessar  através das 36 cartas e que se apresentaram à mim como estes livros, verdadeiras obras e lições de vida. Quantas mãos, quantas histórias, quantas vidas !

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Dez de dezembro de 2012 chego à cidade do Rio de Janeiro, berço de uma nova fase cartomântica em minha vida, encontrando seres que senti uma irresistível afinidade e carinho. Amigos muito queridos hoje a meu coração, encontrei um grande amor e, a cada dia que passa, encontro a mim mesmo. O horizonte se amplia e ainda tem muito a ser vivido, muitos desafios, muito a aprender. E conhecendo-me, encontro meus medos, aceito minha sombra, minha dor e me liberto, em um processo que leva tempo mas proporcionador de paz. Conhecendo-me encontro a mim mesmo, muitas vezes deixado lá atrás, naquela criança que sempre fui e, por muitos quadros pintados no caminho, turvou-se, enrijeceu-se, mas hoje essa criança torna a brincar com a cores, e nasce e renasce.

É Lenormand, você me ensina e muito.

Amo ser cartomante, amo a oportunidade de viver meu dia a dia com este baralho. Na oportunidade escrevo também meu amor pelo tarô que não foge à essa realidade em minha vida.

Acredito que o autoconhecimento é a única chave real para sermos melhores e felizes e, na minha religiosidade, encontrar à Deus, Olodumaré, a Deusa, enfim, à Consciência que tudo criou e esse encontro, ainda que aos poucos, nos faz brilhar nos momentos de alegria e fortalece-nos nos desafiadores testemunhos da Vida.

Obrigado Lenormand, gratidão à você, aos ancestrais  e ao universo que se amplia cada dia mais.

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Caixão e Rainha de Copas

 

 

Olhar o fim de um ciclo, de uma crença que morre, valores que hoje já não fazem mais sentido, uma nova fase de vida, com os olhos da Rainha de Copas, é perceber-se identificado com os próprios recursos, a ponto de compartilhá-los com os outros, em um processo de interação com o meio através da interação consigo mesmo. E surge a crise e vem o ensejo de crescer. As emoções para se harmonizarem perturbam-se profundamente, em um desafio interno de autoconhecimento e libertação das próprias amarras. A Rainha que prende-se, amarra-se, vincula-se, sofre duas vezes, senhora da afetividade, depara-se com o ensejo de crescer.

 

 

 

 

Caixão e Rainha de ♥: Momentos de ressentimentos e emoções negativas ‘morrerem’ ou melhor, transformarem-se, feito a água límpida que ao ser lançada no interior de um vaso sujo de terra e imediatamente sair turva através do orifício em seu fundo, após alguns minutos, novamente tornar-se límpida. A terra: os esforços, a crise, para onde o caixão segue, aquela que o caixão abraça. A água, o elemento que límpido, depois turvado pelos esforços e um processo que a terra simboliza, tornando-se renovada e pura – a essência de nossos sentimentos !
Identificar essa Rainha de Copas vivendo o caixão e dessa vivência direcionar passos firmes adiante, sem medos, é convite da Vida, a fim de vivê-la com mais qualidade.

 

Lovers Tarot. Jane Lyle

Lovers Tarot. Jane Lyle

 

Mesa Redonda Cartas Ciganas: Muito Obrigado!

Há meses fui convidado para participar de um evento e como o convite foi feito por um coração muito querido, Tânia Durão, claro que aceitei. Os dias se passaram e muitas emoções e a ansiedade por vezes visitaram-me a intimidade, até que chegou o grande dia:

III MESA REDONDA COM AS CARTAS CIGANAS!

Uma experiência singular, cheia de boas energias, de carinho e principalmente, com corações que estavam dispostos a receber e doar emoções que constroem, elevam, renovam.

Conteúdos riquíssimos sobre o Lenormand (Baralho Cigano), experiências de vida, pensamentos, reflexões, um lanche ma-ra-vi-lho-so ! ;p e tudo isso em um clima de confraternização, imprescindível para que um evento, a meu ver, atinja seu objetivo.

Cada palestrante, cada participante do evento contribuiu com seus tesouros , com simplicidade e honestidade. Isso fez a grande diferença !

As exposições só enriqueceram a todos presentes e são contributos para nossa caminhada pessoal e profissional.

Particularmente, fiquei com o coração feliz pelo excelente evento, por ter conhecido finalmente corações que já mantinha contatos pela internet e reencontrar outros também queridos, quiçá de outras existências, afinal , afinidade foi tamanha !

É muito bom ensejar esse espaço de confraternização em que você tem total afinidade com todo o contexto, isso me traz a sensação de um ambiente familiar, estar entre os meus, onde há reciprocidade e conexão.

Tivemos atividades realizadas por alguns dos palestrantes e que utilizaram cartas de alguns baralhos. Trouxe todas em minha mente e coração, como reflexão para meus passos.

A atividade de Adriana Padula, em que tirei a carta 3- Coração, do belo baralho de Dona Maria Mulambo, organizado pela Sônia Boechat;

Baralho de Dona Maria Mulambo. Sônia Boechat Salema

Carta 16-A Sorte. Baralho Tarot Cigano da Trybo Cósmica. Katja Bastos

 

A carta 16- A Sorte, do Baralho Tarot cigano da Trybo Cósmica, da sacerdotisa Katja Bastos.

Guardo na memória quando Katja Bastos, interpretando minha carta citou que ela falava de carma, de compromisso e que estava no caminho e lugar certos. Exatamente de encontro a meu coração !

E por fim a carta 6-nuvens do Lenormand, recebida junto com um lindo ursinho, na atividade de Luqiam Osahar.

Busquei construir minha palestra como faço todas: como se fosse a primeira vez, mas para esse público, tem um toque especial, são cartomantes, tarólogos, oraculistas como eu ! E tudo foi mágico ! Desde a exposição até a conclusão do momento com uma música que conheci há pelo menos dez anos, da autoria do Grupo Arte Nascente (GAN): Te Ofereço Paz ! Com uma letra e melodia que transcendem religiões e servem a todos os grupos que desejam alcançar um nobre objetivo.

Já trabalhei essa música com público bem diversificado e todos, sem exceção, sempre tiveram reações maravilhosas, eu digo o mesmo.
A Arte tem esse papel, de nos acessar diretamente na emoção, transpondo o cognitivo e indo direto à nossa intimidade. Assim foi a conclusão da palestra: música, movimentos gestuais, energia, emoção !

Aqui o momento em que trabalhamos esta bela música, esse mantra sagrado ! Grato ao amigo Alexsander Lepletier pelo registro.

Minha gratidão a essa Força Criadora do Universo, aos deuses, guias espirituais: encantaria cigana que há tantos anos junto de mim se encontram, ao Caboclo Ita, meu chefe de coroa, ao nobre e querido companheiro espiritual Laurence, que esteve direcionando minhas palavras no momento da oratória e a cada um com quem tive a oportunidade de ladear horas tão benfazejas.

Seja Bem Vinda IV MESA REDONDA COM AS CARTAS CIGANAS! Até 2015 !

Imensamente grato.

 

Tato Cunha.

Eu, Santa Sara e o Povo Cigano

Dia 24 de Maio, comemora-se Dia de Santa Sara Kali, a mais venerada santa para os ciganos.

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Muitas pessoas, ciganos ou não, independente de religião, louvam Santa Sara e o Povo Cigano neste dia.

Umbandistas, alguns candonblecistas,  ciganos, esotéricos, inclusive pessoas que não adotam religião alguma, mas nutrem forte admiração por esta energia, ou já obtiveram grandes graças. Uns louvam para fazer pedidos dos mais diversos, dentre eles emprego, dinheiro, saúde, gravidez, prosperidade, guarda, proteção, outros, além dos pedidos, para agradecer e dar prosseguimento a compromissos assumidos com a Espiritualidade, com as entidades ciganas que à Terra vêm cumprir sua missão junto a seus pupilos. São aquelas pessoas que em um determinado momento da vida encontram essas entidades espirituais, são preparadas e iniciam seus trabalhos, sua ciência junto a eles aqui neste plano físico.

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Vale ressaltar que essas entidades em nada tem a ver com as entidades de Umbanda chamadas Pomba Giras (bombojiras), exus que têm seu importante papel dentro de casas de culto e alguns adeptos de religiões de matrizes africanas, com a função de guardar, defender, proteger, dentre outras coisas, as porteiras dos Terreiros, Centros de Umbanda e os caminhos de quem tem essas entidades como guias e guardiães. Existe sim bombojira Cigana, que é um Exu catiço, isso pode, mas não implica que uma entidade cigana seja exu. Sua forma de culto é completamente diferente. Há sacerdotes que fazem o culto dessas energias em conjunto mas eu discordo, minha opinião claro.

Cada um tem sua história de vida com as entidades ciganas, sua experiência, mas posso falar da minha.

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Sanssouci Schloss, Deutschland

 

Há 21 anos, portanto, no ano de 1996, por ter um grande apreço e admiração pelos ciganos, comprei uma boneca (que tenho até hoje) e montei um altar cigano, simples, com o que eu sentia que deveria ter. Orava, confiava, pedia.

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Oito anos depois, em 2004, estava eu em uma papelaria e loja esotérica que ainda existe, em um shopping de minha terra natal, Manaus,    vendo incensos e pretendia escolher um, quando ao meu lado avistei uma senhora perfumada, bonita, expressões firmes,  simpática. Achei que era alguma cigana contratada pela loja para atender os clientes, ou algo similar.

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De meio sorriso, dirigiu-se à mim e aconselhou-me: - Leve o incenso “x”

Eu pensei: – Mas quem é ela para se intrometer no meu gosto?, Eu levo o incenso que quiser.

Ela redarguiu: – Não precisa responder assim, leve-o! Estou te dizendo.

Eu, óbvio, achando estranho aquela mulher que leu meus pensamentos, comecei a perceber que ninguém a via, e identifiquei algo “no ar”. Agradeci e continuei olhando maravilhado com os cristais, incensos, essências, oráculos, percebendo que neste mesmo tempo, ela sumiu por dentre as prateleiras da loja.

O que fiz com o incenso recomendado? comprei claro !

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Chegando em minha casa, fui ao meu quarto, acendi o incenso, senti uma satisfação acima do normal, uma alegria equilibrada, porém muito forte e perdi a consciência.

Quando recobrei os sentidos, minha mãe, que estava presente, transmitiu-me os recados, do compromisso que eu tinha com entidades ciganas, com a cartomancia e que era ela quem iria liderar a condução desta minha profissão.

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Deu mais algumas orientações para o ritual da “Mesa Cigana” que eu iniciaria no ano seguinte (2005), onde louvo, agradeço e faço meus pedidos às entidades ciganas com que trabalho.

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De lá para cá trago esse compromisso com essas entidades amigas, irmãs, companheiras. A maioria das práticas que realizo aprendi com as próprias entidades, agregados a práticas mágicas adquiridas ao longo da minha vida. O ritual da “Mesa Cigana” é simples e movimentador de vigorosas energias, muito mais do que imaginava logo no início.

Muito tenho aprendido, pessoas encontrei e que foram colocadas no meu caminho, inclusive um querido cigano, encarnado, que muito me ensinou. Perdi contato mas trago ele em minhas lembranças e sempre gratidão.

2017, doze anos de Mesa Cigana e parece que foi ontem !

É um contato pessoal onde cada um percebe de maneira peculiar e essa troca de carinho, dessa amizade se expressa em muitos momentos de nossas vidas
Gostaria de compartilhar um vídeo que assisti há muitos anos e expressa, para mim, a excelência da energia, da Vida, da alegria que pulsa na dança que tanto amo e em especial hoje a dança cigana. A artista e dançarina é Kátia Senatori . Na época fiz questão de deixar uma mensagem de tão emocionado que fiquei e hoje, assistindo novamente, não fugiu à regra ! Que esta alegria chegue até você !
Que este dia, onde muitos se movimentam louvando Santa Sara e uma grande legião de entidades espirituais, proporcione as devidas benesses, a fim de atender às nossas necessidades físicas e espirituais, onde mais verdadeiramente necessitarmos.

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foto: Búzios-RJ. Tato Cunha

Thie Aves Thiatlô Lom, Manrô Tai Sunkai !

Que você seja abençoado com o sal, com o pão e com o ouro !

atualizado em: 20/05/2017

Viver o caixão

Em uma jogada, quando o caixão sai como última carta diante de uma questão feita e quando sinto necessidade de identificar, tiro pelo menos mais uma, a fim de verificar o que virá. Dependendo da intenção do jogo, mentalizada no ato de embaralhar, esta carta apresentará claramente a questão, mediante sua ligação com as demais cartas e/ou com a casa que ela sair no método que for utilizado. A leitura se fará em quaisquer aspectos, seja afetivo, profissional, saúde, espiritual ou material.Como meditação, refletirmos naquilo que precisa ser trabalhado em nós em relação a perdas, fins de ciclo (que geram mudanças), luto psicológico decorrente dessas vivências ou até morte física.

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baralho Chas Bogan Untitled Lenormand

 

Refletindo com o caixão:

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Viver o caixão é viver o processo de um momento que termina, e esse término, essa mudança surge aos poucos ou de súbito, algo que perde o valor, o gosto, que vai morrendo, como a planta que não recebe água, o animal que não se alimenta no pasto ou algo que nos é tirado, ainda que contra nossa vontade ou mudança de crenças, valores, paradigmas, surgindo então um novo ser, em despertar.

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Abre-se novo ciclo, para caminhos espinhosos, tortuosos , íngremes, pesados ou floridos e perfumados, de conquistas, realizações, vitorias e novas aspirações.

Viver a dor da perda é morrer para renascer. Viver o fim da dor é libertar-se rumo a novos horizontes.

Em ambos os casos, exercitar a aceitação das leis da Vida, sem que deixemos de agir, recordando que somos seres dinâmicos, em constante necessidade de mudanças.
As folhas no outono caem pelo processo natural de que é chegada a hora, e assim nos transmitem a lição de que, após as “perdas outonais” e o luto frio do inverno, chegará a primavera, anunciando nova vida.
Viver o caixão é viver mudanças, inicio e fim e cada um de nós experienciamos as nossas no mundo que muda a todo instante.

 

Foto Tato Cunha

foto:  Tato Cunha

La Journée du Jeu Lenormand

Estive esses dias altamente atarefado, o que me impediu de postar no blog e em minha página, mas o coração esteve ligado dia 25/06 como em todos os outros dias porém, em especial, às comemorações do Baralho Lenormand, um movimento em homenagem à este que nos serve à muitos cartomantes e outros tantos consulentes de maneira a ampliar nossa visão em torno de nós mesmos e da Vida que pulsa em nosso íntimo !
Sou grato pelo tanto que estas cartas têm à mim oportunizado aprender, crescer, sem fanatismos desnecessários, mas com o entendimento, a análise acurada e séria, através do estudo, dos contatos com outros cartomantes que, com a mesma seriedade exercem suas profissões no âmbito da cartomancia. Cada um com suas crenças, seus rituais, sua forma peculiar e rica, mas todos com o mesmo amor e ânsia por estudar sempre a si mesmos e às cartas que abrem o leque da vida em nossas vidas !
Uma página foi criada com muito carinho, onde podemos acessar detalhes a respeito deste evento: Journee Lenormand
Que os deuses abençoem onde ela estiver, nossa querida Mlle. Lenormand e ancestrais que nos inspiram sempre !
Meu abraço fraternal em todos !
Tato Cunha.


Junho: Desafio, Movimento, Ação e Espiritualidade!

Em minha mesa de trabalho, olho o calendário: 31 de Maio de 2014. Pensei: Lá se foi mais um mês. Pensei no novo que chega, cheio de simbolismos importantes e cativos para mim (e para muitos também).
Inicia-se  Junho. Resolvi jogar para ver o que minhas cartas dizem deste mês. Joguei, li, refleti, a inspiração veio !
Vamos ao jogo?
Primeira Carta: resolvi somar o dia, mês e ano: 1 + 6+ 2+0+1+4 = 14=Raposa
A segunda carta embaralhei e tirei pensando no mês: Montanha
A terceira somei raposa e montanha: 1+4+2+1=8= Caixão
 Um mês de alertas e cuidados pois pessoas e energias com intenções nefastas, perigosas, estarão alvoroçadas. Mês regido pela raposa traz o alerta de que sejam evitadas negociações, contratos, etc sem que tenhamos absoluta certeza com quem estamos negociando. Transação de negócios, empréstimos. A raposa movimenta ensejos de influências espirituais perturbadoras provocadas por situações diversas e que podem nos colocar em sintonia com mentes malignas, opositores espirituais e materiais de longa data. Algozes do passado falam nesse jogo, podendo se fazer presentes de maneira mais ostensiva no caminho. Fala da nossa agudeza mental, perspicácia que poderá ser bem utilizada. A Montanha vem logo à frente,seguida do caixão que tudo finda como terceira carta.  Mês de importância para mudar energias, encarando nossas montanhas de frente.
Como fazer? Aqui algumas sugestões:

  • Exercitarmos padrão mental elevado, através de visualizações, meditações, filmes e leituras que nos tragam bem estar. Padrão mental muda -> energia muda -> sintonia se eleva;
  • Conversar consigo mesmo terna e bondosamente, sem julgamentos, encarando os medos, traumas de frente e, caso seja muito difícil sozinho, buscar um profissional da psicologia para nos auxiliar no processo;
  • Tomar um banho de ervas de limpeza/descarrego;
  • Fazer uma limpeza energética no lar, ambiente de trabalho:  energias de tensões, medos, raiva, criam formas que se imantam ao espaço, podem também ocorrer a permanência de espíritos sofredores, perturbadores que mesmo sem ter intenção atraímos. Um banimento, momento de oração, faça o que tem o hábito, suas práticas ritualísticas, religiosas, etc;
  • Sabe tudo aquilo que não está em uso em sua casa? Aquele objetos quebrados? Dê um destino à eles;
  • A lua minguante é excelente para banimentos, limpezas energéticas, quebras de feitiços, pragas, maldições, aproveite-a esse mês !
Puxei mais uma carta, perguntando o que vinha após o caixão:
Chicote e vassoura.
 É um mês de poder, mas tenhamos cuidado, o poder pode ser nosso ou usado contra nós. Tenhamos boas intenções e controle de nossos impulsos. Energia movida com veemência e pode se tornar agressora, conflitiva. Ao mesmo tempo a energia sexual estará mais ativada (interessante que é uma energia  ligada à Exu, homenageado em Junho também) ou em baixa e podendo ser mexida. Mesmo diante desse clima tenso, há possibilidades de isolar e banir essas energias (vide sugestões). Saber como agir e pensar bem é uma das premissas. Movimento e Ação !
Mês de Junho louvamos Santo Antônio, muitos do “povo de santo” (de religiões de matrizes africanas) como eu que sou do Tambor de Mina e outros de Umbanda e também louvamos Exu no sincretismo.
Vamos falar um pouco sobre Santo Antônio e  Exu ?
 
Santo Antônio
Transcrevi partes da pesquisa muito interessante Santo Antônio de Lisboa (Portugal) e de Borba (Amazonas): entre o rito e o teatro em espaços públicos, apresentada no XI CONGRESSO  LUSO AFRO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS (CONLAB), da UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA UFBA,  a respeito de Santo Antônio, padroeiro de Lisboa (PT) e que tem um santuário no Município de Borba, no interior do meu querido Estado Amazonas:
“ santo falecido em Pádua, na Itália, com 36 anos de idade, em 13 de junho de 1231. Um santo de duas pátrias, pois nasceu em Lisboa no ano de 1195, filho de uma família rica desta cidade. Dedicou-se aos estudos bíblicos e desempenhou durante dez anos as funções de cônego regular em Portugal. Pertenceu a ordem dos franciscanos desenvolvendo amizade pessoal com São Francisco de Assis, este com forte sensibilidade para os problemas e realidades dos cristãos pobres.
Com 25 anos de idade partiu para o Marrocos movido pelo intento de cristianização dos muçulmanos, o que lhe conferiu uma vida relativamente curta, porém devotada ao catolicismo. Retornou à Itália muito doente, após ter contraído malária em sua cruzada espiritual, padecendo muitos anos enfermo e tendo os seus últimos dias de vida no convento de Arcella em Pádua. Foi declarado santo menos de um ano decorrido sobre a sua morte, em 30 de maio de 1232 (11 meses e 17 dias após a sua morte). Uma das poucas situações de canonização rapidamente reconhecida pela igreja católica.
 
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Conhecido no imaginário popular como “santo casamenteiro”, pela habilidade exercida na conciliação de casais, “santo de todas as necessidades”, pela atenção dispensada aos mais necessitados, apresenta-se vestido com hábito franciscano levando no braço a imagem do Menino Jesus e no outro um lírio como sinal de pureza espiritual.

Um dos costumes associados ao santo é a distribuição de pães aos pobres, que teve a sua origem em uma senhora francesa, Luisa Bouffier, de Toulon na França, cuja promessa estaria relacionada à abertura de estabelecimento comercial, ficando a dádiva como ex-voto dedicado ao Santo.
Mas esta não é a única versão sobre a origem da distribuição dos pães como agradecimento a Santo Antônio. Bertelli (2007: 60) faz referência a outra situação, conta que “sua origem remonta ao fato de ter distribuído aos pobres todo o pão do convento em que vivia, deixando em apuros o encarregado de distribuí-lo aos frades, na hora da refeição. O padeiro julgou ter sido vítima de roubo e contou a frei Antônio o ocorrido. Este o mandou verificar melhor o lugar onde havia colocado os pães. Para surpresa de todos, os cestos estavam tão abarrotados que foi possível alimentar os frades e os pobres da região”.
Santo Antônio na cidade santuário de Borba
Conta-se que a imagem de Santo Antônio foi trazida por portugueses para a localidade de Santo Antônio das Cachoeiras, localizada no Alto rio Madeira, entre o rio Jamarí e a primeira cachoeira do Madeira, aldeia fundada em 1724 por missionários jesuítas. Segundo a crença, a imagem do Santo descia o rio Madeira em uma jangada e era encontrada em Borba, na beira do rio em meio à lama. Os donos do santo várias vêzes resgataram a imagem até que em uma vez a imagem “não quis mais sair ficando presa à raiz de uma árvore”, conhecida na região por Samaumeira. Conta-se também que Santo Antônio auxiliou as tropas legalistas na defesa da cidade de Borba frente aos Cabanos, na guerra da Cabanagem, contando para isso com o apoio de indígenas e mestiços, bem como negros residentes na cidade que deram origem as primeiras genealogias de famílias borbenses. Fato lembrado com muito orgulho pela população local, que atribui inclusive como graça do Santo o fato de Borba ter resistido às muitas investidas dos Cabanos e nunca ter sido conquistada pelos mesmos.
 

Município de Borba-AM em que Santo Antônio é padroeiro. Foto: geografiadavida.wordpress.com
Exu
É o mensageiro dos orixás, o que envia as ordens e orientações deles. É o indispensável, sem ele nada se faz.
“Tudo sabe, não há segredos pra ele, tudo ele ouve e tudo ele transmite. E pode quase tudo, pois conhece todas as receitas, todas as fórmulas, todas as magias. Exu trabalha para todos, não faz distinção entre aqueles a quem deve prestar serviço por imposição de seu cargo, o que inclui todas as divindades, mais os antepassados e os humanos. Mas talvez o que o distinga de todos os outros deuses é seu caráter de transformador: Exu é aquele que tem o poder de quebrar a tradição, pôr as regras em questão, romper a norma e promover a mudança. Não é pois de se estranhar que seja considerado perigoso e temido, posto que se trata daquele que é o próprio princípio do movimento, que tudo transforma, que não respeita limites e, assim, tudo o que contraria as normas sociais que regulam o cotidiano passam a ser atributo seu.” 
“Vive na estrada, frequenta as encruzilhadas e guarda as portas das casas.” (PRANDI)
 
À ele recorremos para guardar, proteger, abrir caminhos, levar e trazer nossos pedidos aos orixás. É quem rege a reprodução, a sexualidade, a própria vida !
 
Hoje, muitos  inicio a Trezena de Santo Antônio, que é feita até o dia do santo, 13 de Junho, rezada todos os dias, junto com o “responso de Santo Antônio”  e louvo no sincretismo nesse mês Exu. Pedir à Exu proteção, caminhos abertos e guarda, afastando as más línguas de perto de nós e que a nossa também não seja má língua. Caso queira pedir proteção de Exu, sugiro que procure uma pessoa de confiança, com permissão espiritual e que saiba fazê-lo , tudo será organizado a contento e aí é só receber o axé ! 
Se você quiser fazer o ritual do santo, vou lhe ensinar:
 
 Acenda uma vela branca comum.
Caso deseje arrume um altar, com uma imagem de Santo Antônio, um copo d´água ao lado;
Reze o responso (se quiser pode fazer a trezena também). Faça isso durante 13 dias, rogando que sejam restituídas coisas que lhe tiraram, um objeto perdido ou roubado, algo que lhe foi tomado, etc.
 Faça com coração os treze dias, no décimo terceiro (dia 13 de junho) se quiser ponha cravos vermelhos, rosas vermelhas,  e prometa no próximo ano ( no dia do santo) distribuir o pãozinho de Santo Antônio. No ano seguinte compre um número de pães que quiser, leve à missa no dia 13 de junho para benzer e depois distribua essa bênção. É o simbolismo da fartura e prosperidade. As pessoas que o recebem podem comê-lo ou, como geralmente é feito,  guardar em um pote de farinha, arroz, feijão, etc. E quando chegar no ano seguinte, pode esfarelar e utilizar em defumadores, junto com canela, nos moscada, folha de louro, pedindo fartura e prosperidade.  Defume da porta de entrada para dentro, pedindo que entre fartura, etc.

Responso de Santo Antônio

 
Se milagres desejais,
Recorrei a Santo António;
Vereis fugir o demónio
E as tentações infernais.

Recupera-se o perdido,
Rompe-se a dura prisão,
E no auge do furacão
Cede o mar embravecido.

Pela sua intercessão
Foge a peste, o erro, a morte,
O fraco torna-se forte
E torna-se o enfermo são.

Recupera-se o perdido… (repetir)
Todos os males humanos
Se moderam, se retiram,
Digam-nos aqueles que o viram;
Digam-no os paduanos.

Recupera-se o perdido… (repetir)
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo
Como era no princípio, agora e sempre
Ámen.

Recupera-se o perdido… (repetir)
V. Rogai por nós bem-aventurado Santo António.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Repete-se: Recupera-se o perdido …
Oremos: Deus eterno e omnipotente, Vós quisestes que o Vosso povo encontrasse em Santo António de Lisboa um grande pregador do Evangelho e um intercessor poderoso. Concedei-nos seguir fielmente os princípios da Vida Cristã, para que mereçamos tê-lo como Protector em todas as adversidades.
Por Cristo Nosso Senhor,

Amém

 
Todos os anos eu monto um altar específico para este querido santo ser louvado. Tenho uma imagem de grande valor emocional por ser antiga, que uma amiga me presenteou, benzida na Catedral  de Santo Antônio da cidade de Borba -AM.

foto: Santo Antônio. Tato Cunha

Imagem que ganhei em 2007
Que Santo Antônio nos abençoe sempre e especialmente este mês e que Exu nos dê sempre caminhos abertos para prosperidade. Aos inimigos caminhos fechados para que não nos atinjam !
“ Santo Antônio é de ouro fino, levante sua bandeira vamos trabalhar!”
Salve Santo Antônio !
Laroye Mojubá Exu !


Montanha e Sol

 
 
Turvando o sol, a montanha se apresenta estática e densa. Porém, com o passar do tempo, percebemos que há movimento em nós e na casa que habitamos, o orbe terreno. 

foto: Por do Sol-RJ. Tato Cunha

E o sol ressurge, iluminando inclusive a própria montanha a fim de a escalarmos, se quisermos, para que, ao chegarmos no cume, possamos avistar o horizonte e caminharmos mais seguros e experientes. Um momento de conquista e refazimento.
Surgiu a montanha, que tal subí-la ?